EAC STUDENTS AT CORREIO POPULAR
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Publicada em 22/1/2008
Correio Popular - Edições especiais Vestibular 2008 - Brasileiros investem em
curso de graduação fora do Brasil
Procura por bolsas de estudos em faculdades e universidades no Exterior cresceu 164% desde 2006
Sem nunca ter morado fora de casa, o estudante Vitor Guarino Olivier, de 18 anos, encarou os desafios, que vão desde os culturais até a exigência escolar, e buscou uma vaga na Duke University, em Durham, na Carolina do Norte, Estados Unidos. "Achei que seria uma grande oportunidade para me desenvolver como profissional e também como pessoa" , disse. "Sair do próprio País é uma maneira de explorar o mundo e ampliar os horizontes." Olivier cursa economia e ciência política na Duke, uma das universidades mais prestigiosas no mundo. Sentiu muito medo. "Não só por ter de enfrentar o mundo sozinho, mas, principalmente, medo de estar fazendo as escolhas erradas." Hoje, comemora a atitute. "Estou tendo uma experiência incrível."
Cada vez mais, jovens têm optado por cursar graduação fora do País. Na Fundação Estudar, que concede bolsas de estudos no Brasil e no Exterior para graduação e pós, a procura por se graduar fora do Brasil cresceu 164% desde 2006. A Escola Americana de Campinas (EAC) registrou um crescimento na quantidade de estudantes aceitos por instituições estrangeiras entre 2006 e 2007. Entre os alunos formados em junho de 2006, 62% embarcaram para universidades estrangeiras. Em 2007, o índice saltou para 68%. Já em bolsas de estudo oferecidas pelas instituições, o volume de recursos foi de US$ 376 mil no ano retrasado, enquanto que, em 2007, as bolsas atingiram US$ 250 mil.
Olivier escolheu Duke por estar muito bem no ranking das grandes escolas do mundo, além de ter uma rede de ex-alunos muito influentes, incluindo presidentes de países. "Minha dica para quem pretende estudar fora é não ter preconceitos." Hoje, lê, em média, 300 páginas por semana só para conseguir acompanhar as aulas. "Fora isso, estudo, em média, quatro horas por dia e, nesse tempo, faço os trabalhos e exercícios de cada matéria." No Brasil, Olivier estudou na Cultura Inglesa até a 8 série do Ensino Fundamental. Depois, foi para a EAC, onde concluiu o Ensino Médio. "Aprender um idioma não é fácil e só se aprende lendo muito, escrevendo muito e, especialmente, ouvindo muito."
A trajetória de Olivier também será experimentada por Caroline Ribeiro e Larissa Helena do Prado e Fernández. Ambas têm 17 anos e estudaram na EAC. Caroline pretende fazer o curso de moda fora do País, ou melhor, fashion design. "Pretendo obter a vaga baseada no meu histórico escolar, que já demonstra o meu interesse pelo meio e também com o meu portfólio, que mostra o meu potencial" , disse. Ela enviou o seu material para três instituições: Fashion Institute of Technology, em Nova York, Savannah College of Art and Design, em Savannah, na Georgia, e Mount Ida College, em Newton, Massachussets. "Recebi a resposta da Savannah e já fui aceita lá. Aguardo resposta das outras duas."
Caroline disse que, embora o curso pareça mais caro do que no Brasil, as instituições estrangeiras já incluem no preços os materiais, a moradia e a alimentação. Nunca morou fora da casa dos pais. "Mas me adapto fácil" , afirmou. "Além da EAC ter me preparado, já estive nos Estados Unidos várias vezes e, inclusive, fiz um curso de moda na Savannah College of Art and Design, em junho de 2007, onde me adaptei bem." Mas revelou que está com medo. "Sou muito apegada à minha mãe."
Já Larissa pretende estudar no Florida Institute of Technology, em Melbourne, na Flórida. O curso almejado é o de aviação na área administrativa, mas também o curso de vôo para aviação civil.
Estudante quer alçar vôo em instituto da Flórida
Aos 17 anos, jovem supera o medo e tenta vaga para curso de administração e pilotagem
O sonho de Larissa Helena do Prado e Fernández, de 17 anos, é de trabalhar no aeroporto e também, no futuro, talvez como piloto. Ela pretende fazer o curso de aviação na área administrativa, mas também o de vôo no Instituto de Tecnologia da Flórida. "Pretendo obter a vaga mandando todo o meu currículo escolar para a faculdade e a decisão sobre me aceitar ou não depende das minhas notas, da minha pontuação no SAT (sigla de teste de aptidão escolástica), das cartas de recomendação, textos pessoais, atividades extracurriculares, horas de serviço comunitário, entre outros."
Isto porque não há vestibular fora do País. Os requisitos para obter a vaga são falar inglês e submeter-se a um exame que irá comprovar a proficiência na língua, fazer o SAT (uma prova válida para a maior parte das universidades americanas), um dossiê com histórico escolar, avaliação por meio de um questionário que mede conceitos como empreendedorismo e carta de recomendação, sem contar a documentação exigida, no prazo. "A faculdade analisa todas essas áreas e decide se me aceita ou não." Segundo Larissa, as faculdades dos EUA é muito cara e não costumam dar bolsas para estrangeiros.
"Normalmente, eles dão bolsas para alunos excepcionais, com ótimos currículos, mas, raramente, dão bolsas integrais" , disse Larissa. "Conseguindo uma bolsa, mesmo assim, é difícil ficar por menos de US$ 20 mil a US$ 25 mil ao ano. Isto não inclui o custo de vida por lá, que também é muito mais caro. Algumas pessoas optam pelo Canadá, que tem escolas boas que custam menos." Pelos cálculos de Larissa, se conseguir bolsa, o custo anual dela será de US$ 30 mil a US$ 35 mil, incluindo as despesas com alojamento, comida, dinheiro para gastos pessoais e o curso. Ela já esteve várias vezes nos Estados Unidos a passeio. "É assustador pensar que estarei sozinha, mas acho que vou me adaptar bem." (NB/AAN)
Candidato alia dedicação aos estudos e aos esportes
Para jovem que já morou em sete países, diversificação de interesses ajuda a obter vaga
Rodrigo Teixeira aguarda resposta para saber se será aceito ou não em algumas instituições dos Estados Unidos e do Canadá. "Tenho cinco opções no momento: Emor, em Atlanta, Georgia; Bentley College, em Boston, Massachusetts; University of Miami em Miami, Flórida; Southern Methodist University, em Dallas, Texas, e University of British Columbia, em Vancouver, Canadá." Teixeira pretende fazer o curso international business, que, no Brasil, é equivalente ao curso de comércio exterior. A mudança não será problema para ele, que já morou em sete países.
"Tenho bastante experiência em mudar de país, cultura e língua" , contou Teixeira. "Consegui ganhar um conhecimento bem amplo de várias culturas estrangeiras e, por isso, gostaria de aplicar tudo que eu conheço e sei no curso de international business e na minha carreira." Ele lembrou que, além das notas que o aluno obteve durante o Ensino Médio e as atividades extracurriculares, as instituições estrangeiras levam em conta também o número de esportes em que participou.
Para obter uma possível vaga, Teixeira disse que dedicou muito tempo aos estudos para adquirir conhecimento e notas boas para poder mandar para as faculdades no começo do ano letivo da Escola Americana de Campinas, em agosto. "Dediquei muito tempo aos estudos e aos esportes por gosto e também porque as faculdades procuram pessoas diversas com muitas áreas de interesse, pois não adianta dedicar todo tempo aos estudos e não ter uma vida social saudável."
O valor dos curso varia de faculdade para faculdade, segundo Teixeira. "Nos EUA, o valor é de aproximadamente US$ 30 mil a US$ 50 mil por ano, dependendo da localização e do tipo de faculdade (privada ou pública). No Canadá, o preço é mais razoável: em torno de US$ 18 mil a US$ 30 mil por ano" , calculou Teixeira. Sua preferência é ir para a faculdade do Canadá. "Isso pelo aspecto financeiro que se torna mais viável, mas também pelo fato de o nível de educação ser tão bom ou até melhor do que muitas das melhores faculdades dos Estados Unidos." (NB/AAN)
TIRE SUAS DÚVIDAS
Sobre bolsas de estudos da Fundação Educar
Existe um percentual médio do custo total do curso que é oferecido como bolsa? Não. A bolsa pode variar entre 5% e 95% e o valor depende da análise caso a caso. No processo seletivo, o candidato envia à fundação um plano de contas detalhado. Esse plano deve conter informações sobre previsão de receitas e despesas durante o curso.
Quais são as etapas do processo seletivo? Pré-inscrição, inscrição, provas e apresentação de documentos, dinâmica de grupo, entrevista individual com a fundação, entrevista com ex-bolsista, testes de aderência à ética e entrevista final.
A devolução da bolsa deve ser realizada após quanto tempo? Como são corrigidos os valores? Há uma programação específica para essa devolução? Não há um tempo específico determinado para devolução dos valores. O bolsista não é obrigado a retornar à fundação o valor. O que ocorre são doações espontâneas e negociadas caso a caso. Esses bolsistas, depois de bem formados e bem colocados no mercado de trabalho, costumam restituir os valores originais de suas bolsas para que outros jovens possam ter a mesma oportunidade. A restituição ocorre de diversas formas, por meio de doações pontuais, doações mensais, repasse de bônus etc. Trata-se de um círculo virtuoso. Para ter idéia, hoje 70% do orçamento para novas bolsas de estudo partem da contribuição de ex-bolsistas.
Quantas bolsas a Fundação Estudar concede por ano e qual o perfil dos escolhidos para estudar no Exterior? Não há um número limite de bolsas concedidas por ano. A média tem sido 30, mas todos aqueles que apresentarem durante o processo seletivo as características procuradas pela Fundação Estudar terão condições de levar a bolsa. A Fundação Estudar busca jovens com garra, vontade de vencer, alto potencial ético, excelência acadêmica e profissional, perfil de liderança e capacidade de realização, vontade de causar impacto positivo no Brasil em suas áreas de atuação.
Quais escolas e países são mais escolhidos? Para graduação e pós-graduação no Exterior, EUA e Europa são os destinos mais procurados por terem os melhores programas. Entre as instituições, destacamos Harvard, Yale, MIT, Kellog School of Business (Northwestern), University of Chicago, University of London, entre outras.
Fonte: Diretora-executiva Thaisier, da Fundação Estudar
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